O desaparecimento de crianças e adolescentes continua sendo um problema preocupante no Brasil. Dados do sistema nacional de segurança pública mostram que milhares de famílias enfrentam todos os anos a angústia de não saber onde estão seus filhos. Segundo levantamento divulgado pelo governo federal, o país registrou mais de 23 mil casos de crianças e adolescentes desaparecidos em 2025, o que representa uma média de 66 desaparecimentos por dia.
Entre os casos registrados, a maioria das vítimas são adolescentes do sexo feminino, que representam cerca de 61% dos desaparecimentos.
Embora a região Sudeste concentre o maior número absoluto de registros, estados da região Norte também apresentam situações preocupantes quando se analisa a taxa proporcional de desaparecimentos. Em alguns estados amazônicos, como Roraima e Amapá, as taxas de desaparecimento de menores estão entre as mais altas do país.
O desaparecimento de crianças pode ter diferentes causas. Especialistas apontam que fatores como violência doméstica, conflitos familiares, exploração sexual, tráfico humano, pobreza e vulnerabilidade social podem contribuir para o desaparecimento de menores. Em muitos casos, crianças fogem de situações de violência ou acabam sendo aliciadas por redes criminosas.
Tribuna do Norte
Diante desse cenário, surgiram programas e campanhas de busca e prevenção, como iniciativas conhecidas como SOS Crianças Desaparecidas, que ajudam a divulgar informações sobre crianças desaparecidas e mobilizar a sociedade para auxiliar nas buscas. Essas campanhas utilizam redes sociais, meios de comunicação e parcerias com órgãos de segurança pública para ampliar as chances de localização das vítimas.
Autoridades também destacam a importância de registrar imediatamente o desaparecimento e divulgar fotos e informações para acelerar as buscas. Quanto mais rápido o caso é divulgado, maiores são as chances de localizar a criança.
O combate ao desaparecimento infantil exige a atuação conjunta de órgãos de segurança pública, conselhos tutelares, instituições de proteção à infância e da própria sociedade. Denunciar situações suspeitas e compartilhar informações sobre crianças desapare
cidas são ações fundamentais para ajudar a proteger a infância e evitar novas vítimas.
Caso de criança desaparecida no Pará
Foi a que envolveu uma criança do município de Parauapebas, no Pará, que desapareceu após o pai não devolvê-la à mãe no período determinado pela Justiça. A criança ficou desaparecida por dias até ser localizada pela polícia em um hotel na cidade de Goiânia, em outro estado. O caso mobilizou autoridades e teve grande repercussão na mídia. �
1 – Desaparecimento, tráfico humano, exploração infantil na Ilha do Marajó (Pará)
A Ilha do Marajó, no estado do Pará, tornou-se tema de debates nacionais após denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes em comunidades ribeirinhas. Reportagens e investigações mostraram que muitas meninas eram vítimas de abuso e exploração devido à pobreza extrema, ao isolamento geográfico e à falta de políticas públicas.
O caso ganhou grande repercussão quando organizações sociais e jornalistas passaram a denunciar que, em algumas comunidades, adolescentes engravidavam muito cedo em contextos de violência e exploração. A situação gerou discussões no Congresso Nacional e levou à intensificação de ações de proteção infantil na região.
2. Exploração sexual infantil em áreas de garimpo na Amazônia
Investigações jornalísticas revelaram que regiões de garimpo ilegal na Amazônia, principalmente no Rio Tapajós e em áreas do interior do Pará, tornaram-se locais de vulnerabilidade para crianças e adolescentes.
Reportagens mostraram que, em alguns garimpos, bares improvisados e alojamentos funcionavam próximos às áreas de mineração, onde menores eram explorados sexualmente ou submetidos a trabalho precoce. Organizações de direitos humanos denunciaram que redes criminosas se aproveitam do isolamento dessas áreas para explorar jovens e adolescentes.
3. Crise humanitária no território Yanomami
A crise humanitária no Terra Indígena Yanomami, localizada entre os estados de Roraima e Amazonas, ganhou repercussão nacional e internacional em 2023.
Relatórios apontaram que o avanço do garimpo ilegal dentro do território trouxe diversas violações de direitos humanos, incluindo exploração de mulheres e adolescentes indígenas, além do recrutamento de jovens para atividades ligadas ao garimpo. A situação levou o governo brasileiro a decretar emergência em saúde pública e realizar operações para retirar garimpeiros da região.